Mostra “Rios, Reels (Paraísos e Hells)” tensiona o olhar histórico e contemporâneo sobre a Amazônia, inaugura no sábado em Manaus com curadoria de Alberto César Araújo
A fotografia na Amazônia pode ser compreendida a partir de um pensamento diagramático equivalente ao de um curso d’água: marcado por fluxos, refluxos e reflexos. Partindo dessa premissa, a exposição “Rios, Reels (Paraísos e Hells)” propõe uma leitura da tradição e das reinvenções da imagem na região, reunindo obras de nomes consagrados da fotografia, do cinema documental e da ficção ao trabalho de jovens artistas e comunicadores indígenas atuantes em plataformas digitais. A mostra reúne obras de 33 artistas amazônidas e comunicadores indígenas para debater as dimensões socioambientais da água.




A curadoria – que leva a assinatura de Alberto César Araújo – estabelece um diálogo entre duas temporalidades da imagem: a cadência sedimentar dos arquivos históricos e a velocidade das produções audiovisuais contemporâneas, como os vídeos curtos desenvolvidos para redes sociais. Em vez de criar uma hierarquia entre esses formatos, a mostra coloca-os lado a lado, relacionando a profundidade do registro com a dinâmica das novas mídias.
O conceito da exposição reflete sobre os seguintes eixos:
- Paraísos e Hells: O subtítulo retoma formulações históricas presentes em obras como Contos Amazônicos (1893), de Inglês de Sousa, e Inferno Verde (1908), de Alberto Rangel. A exposição tensiona as visões do “Eldorado” e da “floresta hostil” ao apresentar um corpo de imagens produzido a partir da vivência interna do território.
- Cosmovisão e imagem: A partir da obra A Queda do Céu (2015), de Davi Kopenawa, a mostra incorpora a perspectiva xamânica Yanomami e a experiência com a yãkoana como modos de conhecimento e registros visuais do território, alinhando a percepção espiritual à produção documental e digital.
- Fluxo, Refluxo e Reflexo: O percurso organiza-se na metáfora do rio: o fluxo representa a tradição fotográfica e o arquivo; o refluxo aponta para a revisão crítica da literatura e da iconografia regionais; e o reflexo reúne as produções do presente, nas quais novos criadores devolvem novas imagens à correnteza visual da região.
Ao cruzar a fotografia de arquivo, as mídias digitais e as cosmovisões originárias, “Rios, Reels” propõe um exame sobre as transformações da representação visual da Amazônia e os sujeitos que a documentam.

A exposição terá abertura no sábado (8) na Galeria do Largo, no Centro histórico de Manaus, a partir das 18h30, com visitação aberta ao público a partir da próxima semana.
Com informações e fotos da assessoria