Colegiado do Ministério da Cultura encerrou em Manaus visitas a capitais brasileiras, incluindo também o Museu da Amazônia e o icônico Teatro Amazonas
O Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) abriu suas portas, em Manaus, para receber a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC). O colegiado consultivo do Ministério da Cultura (MinC) é responsável por analisar projetos da Lei Rouanet.
Na oportunidade, os membros do CNIC conheceram o Casarão Amarelo, o prédio anexo na rua Barroso, e também as obras da nova sede, localizada na rua Saldanha Marinho – que irá ocupar o prédio de um histórico prédio que foi abandonado pelo poder público.
Durante a visita, o coordenador do espaço cultural, João Fernandes, apresentou as ações e eventos culturais promovidos por ele sua equipe, além de reafirmar o compromisso com a cultura do Amazonas.
A atividade, que encerra a 368ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), visa aproximar a diversidade cultural da região aos comissários por meio das iniciativas beneficiadas pela lei de incentivo.


Para o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, a realização da itinerância no Estado amazonense reforça a estratégia de nacionalização do fomento cultural no País. “Trazer a CNIC para o Amazonas reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com a nacionalização das linhas de incentivo à cultura por meio do fomento. É trazer informação e conhecimento sobre a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc, mas também é se aproximar daqueles que fazem a cultura acontecer e conferir de perto”, afirmou.
A comitiva visitou também as obras da nova sede do Centro Cultural Casarão de Ideias. O espaço, com 15 anos de existência, é dedicado à promoção da cultura e à defesa do patrimônio histórico e artístico da cultura amazonense. Com uma programação diversa, o Casarão abriga um cinema, uma cafeteria, áreas para exposições e um salão cênico para apresentações.
Além disso, o espaço físico também é amplamente utilizado para ações transitórias, como ensaios de outros grupos, exibições de fotografia, concertos, debates, reuniões, oficinas e espetáculos de teatro e dança.
“Este dia é de grande importância para a trajetória do Casarão de Ideias. Tivemos a honra de recepcionar a CNIC, instância responsável pela gestão da Lei Rouanet. Como executamos diversos projetos por meio deste mecanismo de fomento, a visita dos comissários e pareceristas de todo o país possui um valor estratégico. Eles puderam testemunhar a seriedade com que aplicamos os recursos e a solidez do nosso trabalho em Manaus. Reafirmo que o Casarão de Ideias mantém sua crença inabalável no poder transformador da cultura brasileira”, destacou o diretor-geral do Centro Cultural Casarão de Ideias, João Fernandes Neto.
A coordenadora-geral de Fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e membro da comissão, Luísa Hardman, celebrou a oportunidade de conhecer a iniciativa e reafirmou a relevância para a cidade de Manaus e para o território amazônico. “Sinto imensa satisfação ao conhecer esta iniciativa vital para a cidade de Manaus e para todo o território amazônico. O Casarão estabelece uma relação direta com o cotidiano das ruas, com o comércio e com os agentes locais, fato que impulsiona o desenvolvimento da região de forma sustentável. É um privilégio observar o impacto positivo de um projeto que une arte e cidadania de maneira tão integrada”, afirmou.
As obras da nova sede, que estão previstas para serem concluídas em abril. O complexo da Saldanha Marinho ainda terá uma livraria, duas lojas colaborativas de parceiros, café, sala multiuso e galerias para exposições.
Musa e Teatro Amazonas
Além do espaço cultural Casarão de Ideias, a comitiva do MinC também visitou o Museu da Amazônia e o icônico Teatro Amazonas.
A visita do colegiado ao Museu da Amazônia (Musa) foi impactante por estar em um recorte de 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, que opera como uma instituição de pesquisa e difusão científica da natureza. A visitação ao espaço museal foi guiada pelo diretor-geral, Filippo Stampanoni, que apresentou à comissão espaços como a torre de observação em aço, com 42 metros de altura e que oferece acesso ao dossel das árvores da reserva, além de laboratórios de exposição de serpentes, borboletário, orquidário e trilhas interpretativas sobre solo e a flora local.


“O Musa funciona como um museu vivo dentro desta reserva. Nossa prioridade é a pesquisa e o contato direto com a natureza. Nossa missão central é a pesquisa científica e a observação da natureza em seu estado mais puro. Aqui, o visitante sobe na torre ou percorre as trilhas para entender a complexidade do bioma amazônico na prática. A Lei Rouanet entra como uma ferramenta muito importante nesse processo. É o recurso que nos permite traduzir os dados da ciência e os vestígios da arqueologia em uma linguagem que o público compreenda e valorize”, destacou Stampanoni.
Na seção de arqueologia, o museu exibe vestígios cerâmicos de ocupações pré-colombianas. Já a exposição permanente Peixe e Gente utiliza artefatos e narrativas para descrever os métodos de pesca e a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
A comissão itinerante encerrou as visitas técnicas em um dos mais icônicos símbolos culturais da região Norte: o Teatro Amazonas. Localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, o edifício foi construído durante o ciclo da borracha, no final do século 19, período de expansão econômica da região amazonense. A inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, e o teatro recebeu o tombamento como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1966.


A arquitetura do edifício apresenta elementos renascentistas no exterior e interiores ecléticos, com influência dos estilos Louis 15 e art nouveau. “A cúpula é revestida por 36 mil escamas de cerâmica esmaltada nas cores verde, amarelo e azul. Materiais como mármore de Carrara, lustres de Murano e ferro de Glasgow foram importados do continente europeu para a construção”, explicou a guia do museu, Letícia Fraga.
O Salão Nobre possui pintura no teto do italiano Domenico de Angelis, intitulada ‘A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia’. A sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas e exibe quatro telas que homenageiam a música, a dança, a tragédia e o compositor Carlos Gomes.
Atualmente, o Teatro Amazonas abriga corpos artísticos estáveis, como a Amazonas Filarmônica e o Balé Folclórico do Amazonas. Desde 1997, sedia o Festival Amazonas de Ópera, um dos principais eventos de música erudita do país. A programação do espaço inclui espetáculos de dança, teatro e mostras culturais.
Com informações e fotos do Ministério da Cultura